O protagonista carrega a visão deturpada de que, para haver mudanças significativas no curso da humanidade, aqueles obstinados a isso (os “extraordinários”, como ele os chama) teriam o direito de cometer certos crimes no processo, uma ótica utilitarista em que as violações da lei, se cometidas em função de um bem comum, seriam justificáveis. Diante dessa conclusão, o protagonista mata Aliona Ivánovna e sua irmã para provar a si mesmo que fazia parte dessa "elite intelectual" independente da moralidade.
Raskólnikov é extremamente resistente quanto às suas convicções; no entanto, após sua prisão, no epílogo, ele finalmente é transformado pelo amor de Sônia — como em uma espécie de regeneração de sua própria moral corrompida. Sônia sempre esteve ao seu lado, mantendo uma pureza inabalável apesar de todo o sofrimento pelo qual havia passado.