Anna Kariênina

O livro, expõe o peso desigual da infidelidade para ambos os gêneros e como a vida em sociedade do homem segue pouquíssimo afetada, enquanto a mulher é inserida forçosamente num quase isolamento social (obviamente naquela época isso acontecia em uma intensidade muito maior, considerando até a normalização da traição nos dias atuais). O estado de espírito afetado de Anna no final do livro, reflete seu descontentamento com seu atual estado: tudo que lhe restava era o amor de Vrônski, enquanto ele seguia frequentando eventos políticos, divertindo-se com os amigos em clubes, participando das suas corridas de cavalo, etc. Eu acho até meramente razoável que ela chegue ao extremo a que chega como uma forma de vingança diante daquilo que interpreta como a ausência de amor por parte de Aleksei. Afinal, na sua perspectiva, esse homem a estava privando da única coisa que ainda lhe restava (tudo isso dentro da sua loucura, a mulher perdeu completamente as beira).
Outra parte interessante do livro é a busca constante de Lióvin pelo sentido da vida. Ao longo da narrativa, essa busca passa pela condição dos trabalhadores do campo, depois assume um tom mórbido com a doença e morte do irmão Nikolai, tona-se exageradamente otimista com o casamento e o nascimento do filho (que é uma grande decepção quando de fato acontece kkkk) e, por fim, ele alcança a revelação de que esse sentido, na sua concepção, consiste, por si só, em praticar o bem (e aí sua reflexão assume um caráter religioso que, sinceramente, eu não me importo).

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