Macabéa era ela, com irritante conformismo e a crença de que o futuro seria algo, ao contrário do presente, que
era nada. Era um reflexo da vida, por mais terrível que esta fosse; de qualquer maneira, não sabia que sua
existência era miserável. Tocava em frente, porque ouvira uma vez que deveria alegrar-se com a vida (apesar de
achá-la um tanto insossa).
Era desapegada de Deus, e nem havia como ser diferente, pois nunca experimentou suas maravilhas.
Veio a se apaixonar por um tolo, megalomaníaco, que, como todos os outros, acreditava saber de tudo. Ela, por
outro lado, não sabia de nada e se impressionava facilmente. Logo foi trocada.
Descobriu que era miserável através de uma médium, a mesma que lhe deu esperança pela primeira vez.
Enfim, encontrou a melhora que lhe fora prometida e morreu, grotesca, na sarjeta.